Voyeur por acidente (+18)


Um burburinho chato que preenchia o ambiente naquela sexta-feira estressante deu lugar a uma quietude confortante e aliviadora no comecinho da noite. Enquanto as luzes eram desligadas da maioria das salas do enorme escritório, as portas estavam sendo trancadas pontualmente as 19 horas. Rubens se levantou de assalto e arregalou os olhos de desespero acreditando ter sido esquecido pelos funcionários da empresa do qual acabara de ser contratado como aprendiz. Olhou para o relógio incrédulo após ter o foco de seus exercícios subitamente interrompido. Aquele jovem mancebo sonhador oriundo do interior, na sua imaturidade conscientemente projetada pelo ambiente que foi criado, decidira se mudar pra cidade grande pra explorar mais dessa vida que acreditava ser muito mais do que haviam lhe permitido experimentar até o momento. Pensou que não seria uma má ideia morar sozinho, assim não haveria ninguém pra lhe impedir de tentar do seu jeito. Uma mistura perigosa de ambição com ingenuidade.


Num primeiro momento acreditou que fosse um daqueles trotes de boas vindas da firma e esperou por alguns instantes o palhaço da equipe aparecer para caçoar da cara dele na frente dos demais idiotas. Mas não foi o que aconteceu, de fato, pra sua surpresa, havia sim alguém além dele no escritório ainda, mas não quem ele esperava encontrar.

Era a Donna, uma colega de trabalho de outro departamento, do qual ele teve um mínimo de interação, havia entregado alguns documentos e correspondências à mando de seu superior mas que até aquele momento, era apenas uma pessoa qualquer compartilhando do mesmo espaço com o mesmo objetivo - trabalhar para pagar as contas. 


Pensou em ir ao encontro dela em busca de uma solução conjunta pois acreditava que talvez também estivesse em apuros assim como ele, trancada no ambiente de trabalho e sem moral suficiente ainda pra se ter uma cópia das chaves. 

No entanto Rubens ficou completamente paralisado ao perceber as intenções maliciosas de Donna, que havia montado um cenário digno de safadezas e já estava terminando de se enfeitar enquanto se posicionava em frente àquele ring light imponente para seu exibicionismo para um estranho punheteiro sortudo do outro lado da tela. Na dúvida entre se revelar, ser descoberto e de alguma forma ser demitido por isso, ou permanecer em silêncio e observar os próximos movimentos daquela colega de trabalho e permitir que ele descubrisse os misterios que cercavam aquela pessoa, a curiosidade falou mais alto. Acrescenta-se aí os niveis cavalares de hormônios naquele corpo franzino e juvenil e uma mente totalmente sedenta por prazeres ainda inexplorados.


Escolheu meticulosamente o melhor ponto entre os guichês do qual não fosse descoberto caso o show fosse interrompido por Donna ou por qualquer outra pessoa que adentrasse àquele recinto. Era como um espetáculo para aqueles olhos poucos experientes das imensuráveis belezas desse mundo. Para Rubens, era uma experiência sensorial única presenciar tal ato onde a protagonista começou a despertar nele sensações e emoções desconhecidas. De certo que ele já havia passado dos dezoito, mas vindo de onde veio, sem ter tido contato com o mundo externo, seja fisicamente ou digitalmente, era como se o mundo descortinasse a verdade diante dele, literalmente nua.


O repertório sexual era um trabalho em construção para ele, e acompanhava cada movimento de Donna com admiração, encantado por cada gesto e cada gemido dela. Sua pulsação aumentava a cada espasmo que o corpo dela dava, e seu pau dilatava junto, sincronizado com a energia que ela emanava, totalmente hipnotizado. Aos olhos dele, ela era uma deusa, imaculada e ele apenas um discípulo devoto, um servo à disposição dos desejos e necessidades dela. Encantado naquela atmosfera propícia para atos ilícitos e explícitos, Rubens sente um formigamento que sobe da ponta de seus pés percorrendo sua coluna e acaba com o eriçamento dos pêlos no pé da nuca. Seus olhos se fecham e ele expande seus sentidos, ouvindo além, recebendo e percebendo melhor cada vibração de seu corpo, seus batimentos cardíacos e sua respiração. Procura relaxar, no melhor sentido da palavra enfiando a mão na sua calça e puxando pra fora aquele membro rígido, carnudo e robusto. Percebeu que a sua cueca estava ensopada e que um fio espesso de um tipo de néctar se recusava cortar a conexão que partia da ponta da glande ao interior da calça. Estava muito sensível para brincar com ele da forma de costume, com violência e as vezes sem muita vontade, de forma recreativa e afobada. Sentia algo diferente, e procurou explorar melhor essa sensação usando as duas mãos de forma mais delicada, passando pelo períneo, apalpando o saco enquanto puxava o tecido daquele pau não circuncidado em movimentos suaves de sobe e desce.

Reagia a todos os estímulos dela em uma comunicação telepática surreal, se sentia conectado de alguma forma pois seus movimentos estavam alinhados aos de Donna, como se linhas invisíveis iguais as de uma marionete o conduzissem sem que tivesse controle de seus próprios movimentos. E quando Donna teve o primeiro orgasmo, instantaneamente explodiu junto uma carga tão intensa que foi obrigado a fazer o impossível para segurar o gemido que poderia ecoar por todo o grande salão. A bagunça ali naquele chão foi substancial, mas antes que pudesse se recuperar ou de se preocupar em limpar o local, Dona recomeçava mais um ato, onde prometia ser a melhor atuação de sua carreira. Quase que instantaneamente os estímulos de Rubens se renovaram para acompanhar o grand finale daquela sessão VIP.


O segundo round tem sempre um tempero diferente e dessa vez, Ruben recorre à força e velocidade para tentar acompanhar o ritmo frenético que Donna impôs naquela cena espetacularmente dramática.

Rubens já não piscava ou respirava mais, estava em outro plano, era um ser de energia pura e a tensão aumentava a cada bombeada que seu membro recebia daquela mão habilmente firme e bem treinada.

Estava quase sem forças de tanto abafar seus gemidos quando subitamente Donna goza pela segunda vez acertando em cheio o ponto limite do nosso jovem que também alcança o nirvana, transcendendo a energia de estado físico para líquido mais uma vez. 

Felizmente para ele, Donna dá um show de movimentos e sons que suprimem e camuflam quaisquer barulhos que ele tenha emitido involuntariamente, e esse deslize poderia ter sido catastrófico. 


Ambos permanecem estáticos por uns instantes quase desfalecidos imersos nas boas sensações proporcionadas pelo ato individual, mas em dupla. E foi nesse momento que o choque bateu forte na cabeça de Rubens sobre sua situação e a ansiedade gritou: Como ele vai limpar aquele local e sair dali sem que Donna suspeite de sua presença? Era uma dúvida genuina e um ataque de pânico se instaurou naquele rapaz pela possibilidade de seu voyeurismo ser descoberto. De todas as ideias que lhe vieram à mente, a que mais lhe apeteceu, porém nada admirável foi a de garantir que seu emprego fosse mantido a todo custo, pois temia passar outra temporada à procura de trabalho naquela cidade competitiva.

Sacou o celular do bolso e fez alguns registros de Donna como prova, que no seu desespero, tinha apenas o intuito de se precaver. 

Com uma prova irrefutável dessas, seria impossível ele não receber liberação imediata daquele local sem ter que dar muitas explicações para Donna. Que isso soaria como uma chantagem de alguem sem escrúpulos, disso ele já sabia. Mas como fazer isso sem que a deixe envergonhada? Sem que ela se sinta humilhada e violada do seu direito à privacidade?

Rubens estava num beco sem saída que já tinha se arrependido de ter se metido nessa treta.


Enquanto estava imerso nesse dilema moral, não percebeu a investida furiosa daquela mulher que nada se assemelhava ao semblante de satisfação e prazer de minutos atrás, e agora se tornara um ser de puro ódio e violência.

Ficou imóvel diante Donna, tamanha era a presença de palco que ela tinha, ainda mais naquela situação onde ele se sentia culpado em todas as instâncias, desde a decisão de permanecer na sala escondido, presenciar toda a intimidade de sua colega de trabalho, sentir prazer com tais atos e pra completar o bingo, ter tirado fotos dela totalmente vulnerável e sem que ela tenha consentido. De vítima ele passaria a réu facilmente caso ela desejasse levar adiante tal acusação.

Pra surpresa de todos, ele se mostrou ainda mais vulnerável para Donna, baixando toda a guarda e se diminuindo perante aquela deusa em fúria e se desculpando desesperadamente por sua insolência.


Ele percebe que a expressão dela agora é outra, como se ela demonstrasse uma certa complacência por toda aquela balbúrdia provocada por ninguém menos que ela. E ficaram assim durante alguns segundos, com ela soltando os ombros dele de forma mais branda, e ele com os olhos voltados sempre pra baixo, amedrontado por não saber como reagir, por não saber como ela iria reagir, como alguém se comportando diante um ataque de urso pardo numa trilha nas montanhas. Até que, por uma intervenção de outra divindade, o telefone de Donna toca. Era o marido dela, como de costume, informando que acabara de chegar e que ela poderia descer. Eles se arrumam discretamente e saem em silêncio, numa atuação digna de Oscar, como se nada tivesse acontecido mas constrangidos por terem cometido o maior dos pecados capitais, a luxúria.


Essa noite eles retornam às suas casas arrependidos, talvez não pelo pecado em si, mas por terem sido pegos e isso que os envergonha tanto. Dormem pensando em como vão lidar com a situação nos próximos dias durante o expediente quando tiverem que interagir novamente, como estranhos mesmo após tamanha intimidade exposta. E antes de caírem no sono, cada um deles em suas respectivas camas, se flagram sorrindo cada um com seu motivo. Donna sorri por ter sido pela em flagrante no seu ápice da entrega de seu talento. Rubens sorri após conferir a bela prova capturada pelas lentes de seu celular. Isso contraditóriamente preenche seus corpos de tesão, e no frigir dos ovos, ambos terão bons sonhos.




Rich & Hard


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