Mas o que seria esse tal de amor ideal?
Encare a vida como uma sala de aula e você perceberá que é exatamente onde aprendemos sobre todas as coisas deste mundo, com lições práticas só que sem um manual de uso. Você terá um armazenamento do aprendizado de forma mais permanente pois é errando, mais do que acertando, que você aprende. Não é mesmo?
Imagino que a forma como a desfrutamos poderia ser muito mais do que mera sobrevivência. Mas será que aprenderíamos algo apenas na teoria? Sem ter que vivenciar experiências boas ou traumáticas que irão moldar o nosso comportamento e caráter, pra dar valor a algo ou alguém?
Na vida conjugal por exemplo, será que estaríamos preparados para nos envolver apenas lendo esses manuais dos grandes gurus do amor? Porque não? É preciso mesmo quebrar a cara, sofrer amor não correspondido ou perder a pessoa que você ama para outra? É preciso mesmo sentir a dor de cotovelo, ter no currículo algumas pequenas decepções amorosas para enfim dizer que se tem experiência pra se envolver seriamente?
Acredito que a vida poderia ser um verdadeiro paraíso e, no objeto em questão da qual explano meu raciocínio, os relacionamentos amorosos, esses poderiam ser sim perfeitos conforme os idealizamos, em todos os detalhes ou pelo menos bem próximos disso.
Os roteiros dos filmes românticos, geralmente recheados de frases de efeito que nos fazem derreter de amores por todas aquelas situações milimetricamente arranjadas na perfeição.
O que acontece entre o conflito do casal protagonista até o final “feliz para sempre”, é simplesmente invejável. Um verdadeiro conto de fadas! É a grama verde do vizinho que almejamos para as nossas vidas. Comparada com a nossa vida, que provavelmente consideramos pacata, sem graça e desprovida de romantismo ou qualquer emoção que beire perto dos grandes clássicos românticos e suas tragédias gregas.
De que outro modo poderíamos nos inebriar com a remota possibilidade de um belo destino para nossos relacionamentos amorosos senão assistindo a esses filmes, entre outras peças de arte como livros, peças de teatro ou canções de amor?
Quem me conhece sabe que não é dos estilos que mais aprecio na hora da sessão pipoca em casa com os amigos ou com o mozão. Não aprecio muito o gênero, por motivos óbvios da falha no processo de evolução do sistema límbico do cérebro primata do indivíduo macho. Porém, como sabemos, todas essas histórias contemporâneas retratadas nas telas foram e ainda são influenciados pelas obras de mestres como Shakespeare, que escreveu em tempos remotos a sua mais famosa obra e a mais célebre de todas as tragédias de amor de todos os tempos, Romeu e Julieta.
Estamos carecas de saber que essas histórias pouco inovam nos tempos atuais, que a música é sempre chiclete, que o enredo é previsível e provavelmente haverão falhas técnicas básicas de roteiro.
O cérebro humano não se importará com nada disso, acredite.
Se fizer você suspirar uma única vez, o objetivo terá sido alcançado com sucesso, pois é disso que se trata no final das contas. E é justamente o ingrediente que nos falta para prosseguirmos no nosso cotidiano: O sopro de vida, o elã vital. Aquela sensação prazerosa da vida correndo nas veias.
O tal sentir do “borboletas no estômago” ainda é algo que não é muito frequente nas nossas vidas, ainda mais se você não está apaixonado ou em um relacionamento, ou se seu relacionamento já passou da fase da paixão avassaladora e caiu na rotina morte lenta a que todos os relacionamentos estão sujeitos.
Gozar a vida é maravilhoso e os suspiros de paixão são primordiais para manter a pele linda.
Bem, ouvi dizer.
É fato previsto que quando o personagem principal recitar aquela frase de efeito, vai bater fundo no seu âmago que fará você pensar “podia ser comigo”. Também fará o seu coração bater um pouco mais acelerado e as pupilas dilatarem, e nada impedirá você de segurar aquele choro entalado na garganta e os olhos marejados que logo escorrerão e você se sentirá vulnerável, exposto.
Triste isso que direi mas, talvez seja o ápice da experiência amorosa que a maioria das pessoas nunca irão experimentar em toda a vida real delas. Chocante né?
Logo, a sétima arte entra em ação com tudo, na tela da sua tv, computador, tablet ou smartphone, sendo os fornecedores de serviço de stream a disputar a sua atenção através de centenas de milhares de filmes e séries disponíveis, com uma receita infalível que irá cativar uma audiência carente de afeto.
Porém ao término do filme, a vida segue normalmente, mas não como a gente gostaria, não segue como achamos justo que seria, com nós mesmos, com os nossos sentimentos. Ela simplesmente segue, segue como sempre seguiu: sem cor, dura, sofrida e talvez, amarga.
Então você se pergunta o porque disso e tenta encontrar um culpado. Serei eu o problema? Será ela ou ele o problema?
Pouco importa de quem é a culpa, a principal questão aqui é - Como você idealiza a sua vida amorosa e como você alimenta essas expectativas românticas? Vocês estão sempre alinhados com as expectativas um do outro? É importante que, de tempos em tempos o casal tenha aquela famosa DR para compreender o que os incomoda na altura do relacionamento e quais são as suas novas ambições e desejos.
Se você acredita que exista no mundo um casal perfeito ou o relacionamento modelo, parabéns, fico muito feliz por você ainda ter esperança na humanidade.
Mas o que seria esse tal de amor ideal?
Às vezes você passa a vida toda procurando o amor perfeito e quando você o encontra, não rola a química, não tem a magia, não tem o encaixe perfeito porque ele também está procurando o amor perfeito, mas o tal do perfeito na concepção de ideal dele.
A compreensão de que o nosso relacionamento pode ser construído na medida que vamos conhecendo o nosso parceiro é que é o mais importante. Ao fazer concessões habituais de um relacionamento, se perde aqui mas se ganha ali também. Outros ingredientes além da paixão, como confiança, transparência, perdão, saber lidar com conflitos, também são fundamentais. E são exatamente coisas que os filmes nos poupam de ver, pois seria chato ver na tela do cinema a sua vida ali escancarada para que todos assistam também. Isso não vende ingresso.
A vida é fluida, imprevisível e não há sequer garantias da existência do amanhã. Então não faz muito sentido você reclamar e continuar vivendo essa vida miserável, desgostosa e sem tesão.
Em tempos de pandemia e de um vazio existencial, a sociedade tem se afundado cada vez em relações frias através de conexões virtuais projetando assim as próprias frustrações no isolamento em busca de entretenimento no conforto do lar como refúgio para não pirar.
Desejo, necessidade, vontade, é o que a vida quer. Não seja o principal boicotador do seu prazer e não se martirize tanto assistindo a esses filmes. Quem escreveu o roteiro, provavelmente acredita que aquele modelo é o ideal para a vida dele. Um modelo que pode servir para ele mas não cabe em você. Afinal de contas finais felizes só existem nos filmes. C’est la vie, mon ami!
É fato previsto que quando o personagem principal recitar aquela frase de efeito, vai bater fundo no seu âmago que fará você pensar “podia ser comigo”. Também fará o seu coração bater um pouco mais acelerado e as pupilas dilatarem, e nada impedirá você de segurar aquele choro entalado na garganta e os olhos marejados que logo escorrerão e você se sentirá vulnerável, exposto.
Triste isso que direi mas, talvez seja o ápice da experiência amorosa que a maioria das pessoas nunca irão experimentar em toda a vida real delas. Chocante né?
Logo, a sétima arte entra em ação com tudo, na tela da sua tv, computador, tablet ou smartphone, sendo os fornecedores de serviço de stream a disputar a sua atenção através de centenas de milhares de filmes e séries disponíveis, com uma receita infalível que irá cativar uma audiência carente de afeto.
Porém ao término do filme, a vida segue normalmente, mas não como a gente gostaria, não segue como achamos justo que seria, com nós mesmos, com os nossos sentimentos. Ela simplesmente segue, segue como sempre seguiu: sem cor, dura, sofrida e talvez, amarga.
Então você se pergunta o porque disso e tenta encontrar um culpado. Serei eu o problema? Será ela ou ele o problema?
Pouco importa de quem é a culpa, a principal questão aqui é - Como você idealiza a sua vida amorosa e como você alimenta essas expectativas românticas? Vocês estão sempre alinhados com as expectativas um do outro? É importante que, de tempos em tempos o casal tenha aquela famosa DR para compreender o que os incomoda na altura do relacionamento e quais são as suas novas ambições e desejos.
Se você acredita que exista no mundo um casal perfeito ou o relacionamento modelo, parabéns, fico muito feliz por você ainda ter esperança na humanidade.
Mas o que seria esse tal de amor ideal?
Às vezes você passa a vida toda procurando o amor perfeito e quando você o encontra, não rola a química, não tem a magia, não tem o encaixe perfeito porque ele também está procurando o amor perfeito, mas o tal do perfeito na concepção de ideal dele.
A compreensão de que o nosso relacionamento pode ser construído na medida que vamos conhecendo o nosso parceiro é que é o mais importante. Ao fazer concessões habituais de um relacionamento, se perde aqui mas se ganha ali também. Outros ingredientes além da paixão, como confiança, transparência, perdão, saber lidar com conflitos, também são fundamentais. E são exatamente coisas que os filmes nos poupam de ver, pois seria chato ver na tela do cinema a sua vida ali escancarada para que todos assistam também. Isso não vende ingresso.
A vida é fluida, imprevisível e não há sequer garantias da existência do amanhã. Então não faz muito sentido você reclamar e continuar vivendo essa vida miserável, desgostosa e sem tesão.
Em tempos de pandemia e de um vazio existencial, a sociedade tem se afundado cada vez em relações frias através de conexões virtuais projetando assim as próprias frustrações no isolamento em busca de entretenimento no conforto do lar como refúgio para não pirar.
Desejo, necessidade, vontade, é o que a vida quer. Não seja o principal boicotador do seu prazer e não se martirize tanto assistindo a esses filmes. Quem escreveu o roteiro, provavelmente acredita que aquele modelo é o ideal para a vida dele. Um modelo que pode servir para ele mas não cabe em você. Afinal de contas finais felizes só existem nos filmes. C’est la vie, mon ami!
Rich & Hard
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