Tensão, tesão e confinamento



Hoje eu me peguei pensando numa pergunta e o quão interessante seria encontrar uma resposta sincera para ela: Vocês também estão se amando ou estão apenas transando?

Primeiramente precisamos considerar o cenário antes do isolamento social e durante.

Estamos tendo uma oportunidade de refletir sobre um momento singular na nossa história, a pandemia oriunda do coronavírus, já que o decreto de confinamento está nos permitindo passar mais tempo sob o mesmo teto com nossos familiares, talvez até mais do que estamos acostumados. É fato que passamos muito tempo fora de casa por causa do trabalho, estudos e outras tarefas, onde algumas famílias mal se veem durante o dia ou mal se falam, limitando-se a conversas diretas através de aplicativos enviadas praticamente no automático com frases prontas e frias enquanto mantemos nossos olhos colados nas telas de nossos respectivos aparelhos de celular.

Com a reviravolta desses últimos dias, passamos a conviver uma média maior de horas com as pessoas da nossa casa, trancafiados em um espaço limitado, não nos restando outra opção senão - pasmem - interagirmos com essas pessoas. O que nos dá uma margem extra de tempo para uma série de atividades que antes restringia-se no máximo aos finais de semana ou feriados, como por exemplo resolver as pendências domésticas e uma longa lista de atividades de entretenimento que só foi aumentando com o passar dos dias visando evitar o tédio.

A casa então se torna um campo minado, qualquer assunto pode vir como uma bomba se as palavras forem mal colocadas, todos na casa estão estressados, entediados, preocupados, querendo aliviar as tensões de algum modo e cada um se agarra naquilo que mantém a sua mente ocupada do jeito que mais lhe convém.

Programação familiar estabelecida, os moradores da casa já sabem exatamente o que fazer, crianças possuem suas atividades recreativas, os idosos da residência também mas, e os adultos sexualmente ativos? Como fica a questão do amor do casal conciliando com a libido e a privação de sexo, na quantidade e na qualidade?

É fato que eles querem transar, isso é lógico! O corpo pede por isso. É um chamado da natureza. Extravasar todo o stress e aquela tensão e tesão acumulados em cada centímetro de fibra do corpo que urge principalmente em momentos como esse de confinamento é lei. Mas como liberar a endorfina e oxitocina do corpo visto que não há mais aquele momento de paz com tanta gente com o radar ativado em casa.

A privacidade é importante sim, há quem o diga e, como manda o decoro, você não vai sair transando feito um louco no quarto, gemendo alto ou cometendo as loucuras usuais do momento do coito pelo simples fato de “Whatafuck tem muita gente na casa e eles podem nos ouvir!!!!”

Qualquer momento de paz então se torna um deus nos acuda, não é mesmo?

Vocês aproveitam pra dar aquela “rapidinha”, que antes era uma coisa especial e raramente realizada, agora se torna o POP - Procedimento Operacional Padrão da transa. Vocês se tornam máquinas sexuais, sempre em estado de alerta, apenas aguardando ansiosamente cada minuto de vacilo dos seu entes queridos para atacar a sua presa, ou ser atacado por ela, quem sabe. Vocês começam a explorar cada canto da casa imaginando as possibilidades e descobrindo que existem inúmeras alternativas de sexo, pelo simples fato de estarem mais observadores agora. A regra é clara: ou é isso ou vocês ficam sem e ponto final.

Mas, e o amor? Será que ainda existe espaço para aqueles momentos mais íntimos?
Ah, mas você me pergunta: O que pode ser mais íntimo do que o sexo?
Veja bem, estamos falando de cumplicidade, você se lembra disso? Estamos falando de conversas soltas, de momentos de carícias, de se olharem nos olhos, de beijarem a testa, darem aquele abraço gostoso e demorado, de rirem das bobagens um do outro, cozinharem juntos enquanto bebem uma taça de vinho, de prepararem o café da manhã, de falarem dos projetos em andamento ou dos projetos engavetados, de experimentarem coisas diferentes e de todas essas coisas comuns que os casais apaixonados sempre fazem e que vocês também faziam antes.

Se vocês ainda se mantêm ativos dessa maneira, meus parabéns! Mas se você concorda com tudo que falei até aqui, talvez seja possível tirar algum proveito dessa quarentena e quem sabe seja a hora certa de redescobrir alguns prazeres que vocês haviam esquecido com o passar do tempo, com a rotina castradora. Quem sabe dar aquela renovada no relacionamento. Se você for cuidadoso e não for contaminado pelo vírus, talvez você ainda irá agradecer a ele algum dia por ter te ensinado algo novo.



Rich & Hard

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