Rádio Peão
Que o ser humano é motivado por uma boa fofoca, disso não há nenhuma sombra de dúvida.
A fofoca nem precisa ser tão boa assim. Basta ser uma notícia íntima, pessoal, reveladora, constrangedora e todos os ouvidos estarão ali ligados, antenados para cada sinal que esteja na frequência das frivolidades alheias. Dos corredores dos ambientes de trabalho às mesquitas, todos já ouviram alguma anedota cabeluda e passaram adiante.
A rádio peão é uma das instituições de maior prestígio nesse país e nada supera a sua eficiência, perdendo apenas para a corrupção...
As fofocas viajam muito rápido, mas nada se compara à velocidade que as fofocas mentirosas e maldosas viajam. Às vezes o “babado” é tão forte que viaja mais rápido que a velocidade da luz.
Há quem precisa de fofoca pra sobreviver. É o seu alimento, é o seu elã vital. O dia só é completo e perfeito quando se recebe a tão esperada notícia ou até mesmo quando ela cai em seu colo, como uma bomba. Não há nada que o faz mais feliz do que isso, arrisco dizer que nem a sensação de receber a notícia de um bilhete premiado da loteria teria tanta importância ou relevância.
O efeito do telefone sem fio é implacável, não perdoa ninguém. Nem mesmo o Papa está à salvo, que mesmo sendo a figura de uma pessoa pública, a fofoca institucionalizada e profissional, que o jornalismo recebe o apelido carinhoso de abutre, requer que um criador de conteúdo e que consumidores desse tipo de conteúdo perpetuem essa prática.
Não nos esqueçamos também das temidas fakenews pra não me deixar mentir aqui.
Quem nunca recebeu uma notícia duvidosa no zap e compartilhou assim mesmo sem nem consultar a fonte ou a veracidade da informação, que atire a primeira pedra por favor.
A fofoca então está na boca das pessoas, está nas capas, está nas telas, está nos debates, está nos palanques, está nos púlpitos. Está no céu, está no mar e está na terra.
Não há problema em querer saber uma informação sobre determinado alguém, coisa ou situação. Ou há?
Talvez o excesso de fofoca, a exclusividade disso na vida de alguém que se nutre unicamente desse tipo de conteúdo, sim.
É preciso equilíbrio na vida. Até pra se fazer fofoca da vida alheia. Imagine o quanto você poderia fazer por você se fofocasse menos...
Informação nunca é demais, e isso é uma atitude louvável mas, e se houvesse mais interesse para assuntos que agreguem mais à sua vida de maneira que eleve seus conhecimentos para cunho pessoal, espiritual ou profissional, e que você cresça, evolua, transcenda...
Como Platão já dizia “Pessoas normais falam sobre coisas, pessoas inteligentes falam sobre ideias, pessoas mesquinhas falam sobre pessoas”.
Seja um disseminador de ideias! Fale sobre sonhos. Compartilhe projetos.
Lembre-se, você mata um fuxico na raiz quando você impede o interlocutor de manifestar seus impulsos ou quando você se recusa a alimentar esse gremlin.

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