Faz algum sentido?
Quantos sonhos são assassinados dia após dia por casualidades aleatórias da vida? Independente da situação, planejado ou não planejado, daquilo que se pode controlar e dos eventos que estão totalmente fora do seu controle, quantos dos seus sonhos se dissipam como cinzas ao vento pelo simples fato da vida ser como é?
Daniel não era filósofo, mas há muito refletia, há muito se indagava.
Recentemente ouviu de uma amiga que simplesmente "a vida segue"...
Obviamente teve pena dela, apesar de ter concordado, em partes. De fato não aceitava esse argumento como verdade absoluta.
A vida, tal qual a conhecemos, um conglomerado de regras impostas por todo o sempre, regras éticas, morais, culturais, filosóficas, naturais, quânticas, sexuais, sociais, territoriais, regras limitantes, dos sentidos - sem sentido - nesse plano, nada mais é do que o aceite da sociedade como um fato imutável, simplesmente estão cagando para a teoria da relatividade.
Mas aceitar isso seria uma das maiores causas de desistências de se viver, seja literal ou não?
Quantos conhecidos convivem no seu círculo social que operam no modo piloto automático bem ao estilo inteligência artificial? Quantas delas realizam sempre as mesmas tarefas cotidianas e rotineiras sem tempero algum, sem molho? Quantos mortos vivos (mais mortos do que vivos), peregrinam sem questionar o status quo, do sentido mesmo de sua própria existência, sem interesse algum em alterar o curso de sua trajetória, ou de alterar a paleta de cor de suas subvidas, medíocres e opacas?
A gente nunca sabe o que se passa com um indivíduo, muito menos numa justificativa plausível de aceitar empurrar uma vida dessa maneira, fazendo hora extra no mundo, basicamente aguardando o momento do descanso eterno.
Sim, eles existem aos montes, tais quais os NPC's - personagens não jogáveis dos videogames - existem pra preencher o sistema, passam por essa existência sem deixarem um legado, uma marca na própria existência, que jamais serão lembrados, vieram pra comer, cagar, reproduzir e morrer. As vezes nem o básico.
Daniel estremecia todo com a ideia de se tornar ordinário assim, e por essas e outras que ele sempre se destacava em tudo que se propunha a fazer. Não era o melhor em tudo, mas seu esforço em seus empreendimentos era invejável pelos fracos, imitável pelos bajuladores, admirável pelos parceiros e reconhecido pelos ídolos.
Foi assim que conheceu Deby, uma garota tímida do interior que se mudou para a capital em busca de realizar seus sonhos e como Daniel, não aceitava menos do que achava que merecia, assim como Mano Brown, cantava "minha meta é dez! Nove e meio nem rola", queria o mundo aos seus pés e não mediria esforços pra todas as conquistas já traçadas pelo destino que estava escrevendo à sua própria maneira, obviamente depois de ter amadurecido e rompido com esses tabus, onde ela passou a fazer uma verdadeira busca por sua identidade.
Com Deby como sua companheira, Daniel descobriu um universo particular e juntos, exploraram muito do que se pode dizer do sensorial físico, tangível e intangível.
Foram feitos um para o outro.
Não era apenas o sexo que os conectava, era mais que sexo por sexo, era a vontade de experimentar, era o desejo materializado e colocado em prática, era o viver momentâneo e espontâneo, o aqui e o agora; respeitando o passado mas flertando com o futuro.
Tudo lhes apetecia. Eles se encantavam com todas as possibilidades e sensações, exploravam o máximo dos cinco sentidos como os aromas, os sabores, a estética; o toque e as diferentes texturas, temperaturas; posições e em diversas situações, podiam jurar que alcançavam mais que os cinco sentidos em diversas situações, através de substâncias que são e não são produzidas pelo nosso corpo.
Com Deby, Daniel descobriu que o sexo começa pela intimidade, na cumplicidade, na reciprocidade, nas carícias e nas preliminares. A penetração - se houver, é o ultimo estágio, mas não é obrigatório. Adoram se provocar mutuamente o dia todo, com mensagens íntimas, ligações e mimos inesperados, sempre um convite, nunca uma obrigação. Fazem sexo o dia todo, e as vezes, transam, as vezes fodem. As vezes são os dois e as vezes são mais que dois, mais que três… As vezes dura menos de 5 minutos, as vezes pode durar mais de dois dias. Acordar pela manhã fazendo sexo podia ser tão bom quanto dormir após os orgasmos noturnos. O inverno e o verão são igualmente desejáveis. Água doce e salgada, corrente ou represada, pelando ou congelada.
O importante e primordial no acordo entre eles, nesse arranjo não ortodoxo de "levar" a vida é não se permitir deixar de desejar. Estimar o desejo pelo prazer, segundo os hedonistas Daniel e Deby, é o que dá cor e tempero à vida, e acima de tudo, é o que dá sentido nessa jornada chamada vida. E assim, vida que segue.
Rich & Hard
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