"Live, Laugh and Lube" (+18)
"Live, Laugh and Lube" dizia o post daquela página de inspirações. Donna adorava, mas apesar de sugestiva, já não a inspirava mais e rolar a página por horas naquele feed infinito atrás de conteúdo realmente excitante, era uma verdadeira saga. Acontece que há muito perdera o brilho que uma vez habitara aqueles olhos negros e saudositas, e que desafortunadamente já não dilatavam suas pupilas assim tão facilmente.
Os suspiros se tornaram eventos raros e aquele antigo rubor facial, agora surge apenas em situações triviais, como ao chegar no ultimo degrau do sétimo andar do edificio onde trabalha porque o elevador está sempre em manutenção.
A apatia dominou seu ser, lânguida era seu estado permanente e a alvura era a nota mais alta de seu tom.
Aquela pele sensível que outrora se eriçava a qualquer sinal de avançar apresentava cada vez mais sinais de desgastes físicos, mentais e emocionais.
Os ouvidos atentos aos sons naturais e às produções musicais já não produziam mais os vinte segundos daquela maravilhosa onda de pulsos prazerosos que percorriam toda extensão de sua coluna vertebral, desde a cintura em direção à nuca, orgulhosa de fazer parte da minúscula parcela populacional que possuia o tal do frisson.
Não existem culpados, se é que isso importa a esta altura, mas podemos concordar que os responsáveis podem ser apontados conforme suas respectivas atuações desse palco chamado vida, que resumida a um escasso intervalo de tempo nada mais é que um punhado de escolhas (a maioria mal feitas) pensadas com o mínimo de esforço para resoluções a curto prazo (com arrependimentos duradouros) para situações das quais não temos o preparo adequado. E mesmo depois de adultos, convenhamos, ninguém sabe exatamente o que está fazendo. O medo de sermos descobertos da fraude que somos nos congela a espinha e a tristeza se torna inevitável. Resta-nos então a fuga… e fugir é o que temos feito de melhor, cada um à sua maneira, mas com o mesmo objetivo de aliviar as tensões cotidianas. Os vícios assumem o timão quando o descontrole se instaura. Alguns recorrem à absorção de substâncias químicas e seus efeitos temporários, e outros recorrem à produção dos tais hormônios do prazer como a dopamina ou a serotonina, através de atividades físicas, ou até mesmo atividades passivas como consumo excessivo de redes sociais, pornografia e sexting.
Donna, mesmo em casa presente de corpo, constava sempre ausente, em outro plano, no seu eu particular. Seu corpo, uma máquina por assim dizer, era um poço de memória motora desprovida de sensações e sentimentos que apenas executava as atividades rotineiras, sem reclamar, sem questionar e sem hesitar, com seu relógio biológico tão pontual quanto o relógio atômico.
Sua lista de tarefas diárias era imensa e servir era a única função de sua limitada programação.
Em casa, cuidava do marido e dos filhos com uma dedicação admirável, além de cuidar dos sobrinhos, da sogra, dos cachorros, do gato e do hamster. No trabalho, cuidava dos assuntos da empresa e do chefe, alem de cuidar dos fornecedores, dos clientes e dos outros funcionários.
E como toda máquina sobrecarregada de suas funções, esta já dava sinais claros de que entraria em pane a qualquer momento, precisava de manutenção imediatamente. O colapso dela, previsivel e iminente, como dez e dez são vinte, aguardava a famosa gota para entornar, não fosse por uma reviravolta cósmica providencial em sua vida.
Donna tornou-se uma expert em canais de bate papo, e essa era a sua única válvula de escape, e o ponteiro da válvula ainda não havia ultrapassado o tal limite. Após um longo período perdida num limbo existencial infinito, isolada do mundo, criou o seu próprio. Cada janela uma história, uma aventura, um personagem, uma fantasia. A cada história, uma emoção; a cada eventura, uma lição e a cada personagem, uma possibilidade. E assim, Donna foi redescobrindo prazeres adormecidos a milênios ou quase esquecidos.
Sua casa era seu templo, sua mesquita, sua sinagoga, e ela não ousaria blasfemá-lo, e mesmo se pudesse, não haveria nenhuma janela disponível em sua agenda super lotada de atribuições de dona do lar. No entanto, em seu ambiente de trabalho, conhecedora das rotinas operacionais da organização, dedicou-se a se auto premiar com prazeres intensificados à potência máxima com o menor tempo possível, como um atleta de alta performance numa corrida dos 100m rasos onde depende exclusivamente do menor tempo para um melhor resultado "- Cada segundo conta. Cada orgasmo também" - repetia pra si mesma. A única hora possível do dia, ou melhor, da noite, era entre as 19h e as 20h, quando todos os funcionários da empresa já estariam a caminho de suas casas e quando o seu marido a buscava de carro. Era nesse momento que Donna se sentia dona de seu multiverso e suas múltiplas versões ganhavam vida própria.
Encarregada de finalizar o expediente comercial, tambem se encarregara de abrir um portal de prazeres imensuraveis à sua vida monótona e indigna, com o auxílio de personagens secundários e alheios à sua história, mas todos dedicados a um unico objetivo, fazê-la ter um ou mais orgasmos antes de ir pra casa. Todos esses elementos combinados, o vazio que sentia, a escassez, a urgência, o elã vital, o despertar do Memento mori, fizeram com que todas as suas células reagissem sincronizadas para resgatar a última faísca de vida existente naquele corpo inerte que insistia em perambular entre o trabalho, casa e escola dos filhos, numa missão dada como impossível. Mas não para ela.
Não entendia o que se passava consigo mesma, mas também não compreendia como ela havia se permitido chegar àquela situação calamitosa de funcionar no piloto automático por tanto tempo. Imperdoável!
No entanto, sabia que não tinha mais volta, não no caminho que havia decidido tomar, e que de agora em diante, valorizaria todas essas novas experiências com muito apreço, não importando o alto custo a se pagar caso a casa caísse. Quem daria as cartas dali em diante seria ela. Com hiperfoco, concentração plena, e planejamento na medida certa, seu plano estaria a salvo se não cometesse nenhum erro. Administração era o seu forte, xadrez, seu jogo favorito e a rainha, sua peça favorita.
Bem, como todo início de um projeto, muitas ideias brotam como pipoca pulando na panela, mas é preciso mais que sabedoria pra filtrar as ruins das valiosas, era preciso experiência, que obviamente Donna não possuía. Mas com o tempo, passou a executar cada etapa com maestria, como se tivesse nascido com o dom. Nas frentes possíveis dessa nova incubência auto atribuída, se tornou expert na arte da sedução através da produção de conteúdo que incluía a escrita, a fotografia, os videos, sem esquecer dos complementos, como a cenografia e roupas customizadas. Convenhamos, ela não entrou nessa pra ver seu barco afundar como em todos os outros empreendimentos da sua vida. Para Donna, era tudo ou tudo.
Segunda feira, sete horas da noite, escritório vazio, e portas trancadas, cenário sendo produzido na velocidade de um cockpit de fórmula 1.
- Recapitulando - Donna dizia para si em voz alta:
- Iluminação - check! - ela mesma respondia;
- Chromakey - check!
- Lingerie Harness - check!
- Câmera - check! - Suspira, orgulhosa de si...
Janela 1 do batepapo aberta, "arroba novinho comedor de casada" inicia conversa, Donna, ou melhor, "arroba vixen underline addict" aceita.
Hora do show!
Serão apenas cinquenta minutos - já que dez minutos já haviam se passado desde então - e nenhum minuto a mais pra se perder - pensava - é preciso dedicar o tempo restante ao prazer extremo direcionado para saciar a sua vontade e a do felizardo do outro lado da tela, seja ele quem fosse. Isso não importava, desde que a química transbordasse dos dois jogadores. E no que dependesse de Donna, esse jogo já estava ganho, pois a adrenalina já consumia todas as suas células como uma vibração positiva, e o tesão em dupla overdose era algo surreal, a ponto de dar uma certa vantagem ao escolhido da noite. Bastava ele não teclar nenhuma merda.
Com uma mão no teclado e a outra em um dos seios, super sensíveis ao toque, massageava-os como jamais alguem o fizera antes, e com poucos estímulos naqueles mamilos pouco explorados por seu marido em um quarto de século juntos, descobrira o super poder do orgasmo mamário, o que não a surpreendeu, uma vez que desde que começou a praticar os seus vôos solo, descobertas era o que ela mais tinha feito.
Para ela era como ganhar o bônus de felicidade ao desbloquear segredos de um jogo a cada fase avançada. Para o "arroba novinho comedor de casada" que presenciara uma das cenas mais lindas de sua vida, ao vivo e a cores, foi uma surpresa e tanto, e mais um item adicionado à sua biblioteca de informações.
As pernas já não conseguiam se manter fechadas sozinhas, e o cheiro que exalava daquele sexo poderia atrair dezenas ou centenas de machos hipnotizados pelo feromônio daquele espécime no cio, se a encontrassem naquele habitat, sendo filmada pela "Amateur Discovery Channel" particular daquele arroba. A mão esquerda então sobe explorando a região do pescoço e depois desce suavemente deslizando pelo ombro, braço, barriga, umbigo e vulva, que a esta altura já esta ensopada, levemente avermelhada e com alguns centímetros de dilatação, piscando a cada estímulo das palavras de incentivo que surgiam naquele monitor.
Donna ajeita a camera para que o seu parceiro pudesse ter um enquadramento mais privilegiado, em close fechado naquela perseguida - de fato não tão perseguida assim - para poder introduzir dois dedos naquela cavidade ensopada e vulcânica, que sem encontrar resistência alguma, praticamente engoliu aqueles dedos delicados tamanha fome daquela buceta descontrolada. Donna já não conseguia mais se conter e outro orgasmo era extremamente necessário. Os murmuros se tornaram gemidos, que se transformaram em gritos abafados e que se tornaram um verdadeiro espetáculo para o individuo do outro lado da tela. Mesmo que ele não conseguisse ver o rosto de Donna, estrategicamente posicionado desta maneira, sabia que ela alcançaria o objetivo sem muito esforço, sorria mesmo assim, de felicidade, digna de uma campeã em uma final de olimpíada.
Já o infante, não perdeu tempo e sacou a sua ferramenta pra fora da calça desesperadamente tentando acompanhar o ritmo daqueles quadris, totalmente concentrados no ofício. Donna ao ver aquela bela verga, grossa e rígida, alongada e dotada de veias, acelerou o rítimo acrescentando mais um nível de dificuldade ao trazer para a cena, mais um item digno de importância para a trama, e ligou seu cavalo marinho sugador de clítoris e introduziu entre as pernas o brinquedinho para apimentar aquela atividade ilícita e perigosa do escritório.
A partir daí, bastaram trintas segundos apenas pra explodirem juntos em um gozo fenomenal, digno de uma platéia muito maior. O esporro ocorrido simultaneamente não foi percebido por ambos e o frenesi experimentado levou alguns segundos para se desvanecer.
Os segundos seguintes foram um desacelerar de movimentos, batimentos cardíacos e respiração menos ofegante. O turbilhão de sentimentos deu lugar a um silencio absoluto que durou tempo suficiente para retornarem a esse plano material renovados e rejuvenescidos. Estavam se despedindo enquanto ela ainda ajeitava as suas coisas e lia no monitor as mais diversas formas de agradecimento possível pós-gozo que alguem poderia proferir mas que foram interrompidos pelo recdebimento de uma mensagem no celular dela que dizia "Oi, Já está pronta? Chego em 5 minutos. Esteja lá embaixo por favor".
As cortinas se fecham, as luzes se apagam e os atores voltam novamente para seus camarins. O espetáculo havia chegado ao fim.
Bem… pelo menos naquela noite.
Rich & Hard
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