Só se morre uma vez… (+18)
Três semanas já haviam se passado desde aquela noite catastrófica mas prazerosa para Donna e Rubens. O evento que poderia ter sido um caos posteriormente àquela inesquecível noite, tornou-se apenas um constrangimento, algo proibido de se mencionar, como aquele que não deve ser nomeado. Ambos mal se olharam durante esse longo período, sequer trocaram frases completas, limitando-se apenas às formalidades corriqueiras e sem intimidades de meros colegas de trabalho, obrigados a interagir por conta das suas respectivas funções.
Bem lá pelas tantas, quase hora do café da tarde, coincidentemente três elementos se deparam na copa do escritório: Donna, Rubens e aquele enorme elefante branco. Não havia como fugir dali e o café desce amargo.
Donna então, a única adulta dali, resolve iniciar uma conversa.
- Foi bom para você? encarando a xícara de café ainda pela metade.
A cena que se segue após essa granada lançada é a de Rubens se engasgando todo tentando recuperar o fôlego. Isso põe um sorriso sádico na cara de Donna.
Rubens não responde. Limita-se a soprar o café de uma forma bem desajeitada.
Pacientemente ela toma o último gole de café. Olha para o fundo da xícara e lê os sinais que aquela borra lhe mostra e lança a granada final que abaterá seu oponente:
- …ou você apaga aquela foto do seu celular e resolvemos isso de uma maneira amigável ou…
Nesse instante a alma de Rubens abandona o seu corpo já petrificado por aquela ameaça - Ou o quê? - ele se pergunta, mas a resposta não surge. Tenta esboçar alguma réplica, mas Donna já havia partido e ele retorna aos seus afazeres totalmente afundados em seu desespero, sem saber que rumo tomar.
Era uma situação delicada para ambos. Se por um lado, tínhamos alguém que não se sentia ameaçada mesmo diante uma prova cabal que poria sua carreira e até sua reputação em xeque, do outro lado tínhamos alguém que, mesmo com a faca e o queijo nas mãos, precisava urgente de ansiolíticos fortíssimos pra lidar com tamanha ansiedade.
Ela era anos-luz mais experiente que ele pra deixar um pirralho intimidá-la facilmente. Enquanto ele ainda estava indo colher o milho, ela já voltava com a pamonha no prato.
Donna jamais se sujeitaria sucumbir após ter batalhado tanto pra se tornar a pessoa que sempre quis ser, e estava disposta a tudo pra manter seu posto ileso.
Odiava as estruturas, o sistema, o patriarcado, o capitalismo, religiões e sobretudo, a monogamia. Para ela, a monogamia nunca foi sobre se relacionar verdadeiramente... Sempre foi sobre poder, sobre posse de algo, sobre agir em detrimento dos interesses de apenas uma das partes, através de mentiras e manipulações das quais não estava mais disposta a compactuar. Acreditava que o que ela fazia era revidar diante tantos anos de repressão e da privação dos seus direitos de escolha desde o nascimento. Não escolheu ser Donna, não escolheu ser geminiana, não escolheu ser católica batizada e crismada, não escolheu o próprio marido e sequer escolheu ser traída por ele tantas e tantas vezes.
"Só se morre uma vez. Se vive todos os outros dias" - repetia pra si mesma desde que despertou.
O relógio apontou para as sete horas da noite. Chega o tão esperado horário daquele ritual que vem se repetindo sistematicamente a cada sexta-feira com a mesma pontualidade de um relógio atômico, e Donna bate o ponto. No entanto havia alguém mais decidido a participar da missa, e este já era conhecido dela. Rubens queria ser o protagonista dessa vez e não mais um mero figurante. Ele não arredaria o pé de lá até se resolver com Donna ou morreria tentando. Reagrupou todas as células no seu sistema nervoso e chamou isso de coragem. Saiu das sombras e se revelou pra sua ídola, como quem tem um imenso respeito por uma divindade. Encarou Donna por alguns segundos, e antes que pudesse abrir a boca Donna agarrou o pacote entre as pernas da sua presa que já apresentava um volume considerável, e tascou-lhe um beijo em sua boca, como o que Persephone, interpretada por Monica Bellucci em Matrix 2 exigiu de Neo.
Não era bem a luta que Ruben julgava que lutaria, apesar de ter fantasiado com isso a todo instante nas últimas 3 semanas, 21 dias, 504 horas e 30.240 minutos. Já havia ensaiado tantas e tantas vezes essa cena em sua cabeça que era como se a coreografia fluisse naturalmente naquela parceria. E como nem sempre as expectativas correspondem à realidade, jamais acreditou que esse devaneio se concretizaria. Quando deu por si, estava sendo devorado por Donna que tinha uma fome insaciável e demonstrava isso com seu rosnar de fera em seu habitat natural.
Rubens devolvia a investida dela na mesma intensidade, já que estava no fogo queria se queimar lentamente e ao se fundir na forja de Donna os dois se tornaram um, não havia espaço para desavenças ou inquietudes, embora tivessem começado com o pé esquerdo, encontraram uma maneira de comum acordo pra resolverem as diferenças com química, desejo e muito tesão.
Donna esfregava a cara de Rubens naquele sexo molhado como se punisse um condenado e sentava naquele trono facial como se fosse pela ultima vez. Não era uma bruxa mas o feitiço daquela mulher era muito poderoso e a todo instante ela usava os truques mais baixos pra postergar aquele ritual e seguiram assim por longos 45 minutos.
Rubens só pensava em como ele havia se metido naquela situação e metia, metia com vontade, metia pela frente, por trás, por cima e por baixo, metia como se soubesse o que estava fazendo, como se pudesse ler a mente de Donna e traduzisse todos os desejos imediatos dela em movimentos precisos.
Aquele corpo franzino prestes a exaurir toda sua carga, não aguentaria mais as investidas daquela mulher ligada na bateria duracell e num ataque súbito de ódio e insubordinação, encontra a coragem suficiente pra desafiar sua carrasca desferindo o volumoso néctar que havia acumulado contra a face ruborizada dela, segurando-a pelos cabelos e procurando manter o contato visual pra garantir que não errasse o precioso alvo além de demonstrar uma certa dominância. Jorrou um longo, espesso e quente tiro como se lavasse a alma, como se tirasse de si um peso enorme que carregava ja havia alguns dias, como se enfrentasse seu algoz e tivesse imposto ali naquele ato um limite entre eles, para que ela o respeitasse dali em diante.
O efeito daquela atitude não saiu como esperado. Além do fato dele ter feito muita bagunça naqueles cabelos bem hidratados e escovados, Donna ainda não havia alcançado as estrelas. Mas para ela mesmo irritada, o foguete podia ter entrado em colapso mas a missão não estava totalmente perdida ainda. Sacou de sua bolsa um pequeno sugador em formato de cavalo marinho e sem perder tempo ligou o brinquedo colocando-o nas mãos de Rubens como uma professora ensinando um menino a escrever pela primeira vez. Direcionou a cabeça dele entre suas coxas e ordenou que este beijasse aquela região enquanto o sextoy fizesse o trabalho pesado.
Foi a vez de Donna esguichar na cara dele, pra que ele provasse do próprio veneno, e foi tão intenso que Rubens se engasgou com a potência daquele gêiser tal como foi na copa com o café quente mais cedo, demonstrando com isso o que o verdadeiro poder se conquista e marcando o território, Rubens era sua reivindicação agora.
Permaneceram em silencio por alguns segundos até se darem conta de que o horário havia chegado ao limite e precisavam desocupar o recinto o mais breve possivel antes da chegada do marido de Donna. Não havia o que falar naqueles poucos minutos que lhes restavam mas havia muito o que limpar imediatamente e muito o que processar até o próximo reencontro deles. O fato curioso é que ambos estavam felizes com o andamento das negociações, e que apesar de não terem chegado ainda à nenhuma conclusão satisfatória, sinalizava o início de um grande entendimento entre as partes rumo à um acordo que tinha tudo pra beneficiar ambos.
"Só se morre uma vez. Se vive todos os outros dias…"
Rich & Hard
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